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A FORÇA DO VENTO - (A propósito da Audiência Pública, dia 21/06 às 13:30 na AL/ES. Auditório I – Poluição Atmosférica no ES). 

Partículas em suspensão no ar (aerodispersóides) provenientes da separação mecânica das substâncias no estado sólido, causam doenças respiratórias irreversíveis e morte dolorosa por insuficiência respiratória. São “forte impulso” no desenvolvimento da tuberculose, alergias, inflamações crônicas, neoplasias,..., em nosso organismo. Quando constantes no ar ambiente, representam alteração ecológica sutil, mas extremamente perigosa para todo ser vivo de respiração pulmonar. 

A poluição aérea no Espírito Santo é problema grave e antigo. Desde o tempo da Kawasaki, 1970, o “X” da questão é a localização das siderúrgicas. Elas foram instaladas na Ponta de Tubarão, por pressão política das entidades que representam o comércio em Vitória, e não para atender a critérios estratégicos ou econômicos.

O homem é capaz de remover montanhas, mudar o curso de rios, construir barragens, afastar o mar, fazer chover, atear ou apagar o fogo, e muito mais. Entretanto, domar o vento livre na natureza é impossível. Daí o vento ser a melhor metáfora para a Liberdade.

Tubarão está no caminho do vento nordeste que chega a Vitória, o mais freqüente que sopra sobre o Espírito Santo. Derrama sobre nós as partículas (ferro, carvão, sílica, calcário) que recolhe, passando por Tubarão. A fatal silicossiderose (Doença pulmonar provocada pela inalação de partículas de minério de ferro – hematita) é a mais forte expressão dos malefícios, comprovados, deste tipo de poluição.

Durante três décadas nossas empresas siderúrgicas se esforçaram muito, e investiram pesado, buscando equipamentos e práticas para minimizar esta poluição. Só colecionaram fracassos. Ela cresce e aparece dia após dia e, com um imã, a população identifica a principal fonte.

Como podemos permitir a duplicação do que não deu certo? Da empresa que, em escala menor, não foi capaz de resolver os problemas que criou?

A Vale goza de alta estima dos capixabas e existe um sentimento de gratidão: foi a principal responsável por nos livrar do estigma de “lugar de toda pobreza”, que persistia desde o séc. XVI. Uma nova geração, melhor preparada, se forma em nossa terra, com espírito crítico para avaliar e exigir qualidade de vida e ecologia. Em breve estes jovens ocuparão seus espaços na vida pública e com segurança saberão agir. A empresa, com sua imagem desgastada por persistir no erro, tardiamente cederá (Incorrendo em indenizações?).

Para o próprio bem das siderúrgicas instaladas na Ponta de Tubarão, é preciso que seus novos investimentos sejam direcionados para outra área e, que se pense na gradual transferência das atividades siderúrgicas ali existentes.

Quanto, em dólares, as usinas localizadas em Tubarão contribuíram para o montante de U$ 4 bilhões, que foi o valor alcançado, em leilão, por toda a Vale, espalhada pelo mundo? O lucro anual da empresa é de mais de U$10 bilhões, muitas vezes superior ao custo da transferência, que se mostra prudente e necessária. Ainda mais necessária e oportuna se faz, quando consideramos a idade destas unidades de produção, a chance de expansão, e o risco de desgaste da imagem da Vale (ainda tão admirada internacionalmente e querida de todos nós).

A hora é esta: a empresa está capitalizada e pretende se expandir; Vitória cresceu muito e tem alternativas econômicas incompatíveis com a poluição; a consciência ecológica da nossa juventude se mostra inquieta; os ventos são favoráveis para uma viagem curta e tranqüila, de mudança.

Kleber Galvêas – pintor. Tel.: 3244 7115 [email protected] www.galveas.com 06/06.


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