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FELICIDADES VITÓRIA, 467 anos.

Que vitória? Quando? Onde? De quem?

Aniversariando Vitória (08/09) aparecem textos sobre a fundação da nossa capital. Alguns ingênuos, outros a serviço da segregação, afirmam que nossa capital foi transferida de Vila Velha após “vitória definitiva” sobre os nativos e a ilha escolhida, por oferecer “muralha de água”. Discutem até hoje a data, só oficializada em 1951, no 4º centenário. Não informam onde a suposta batalha aconteceu, líderes, heróis, mortos, documentos ou qualquer dado objetivo. Sabemos tudo sobre Maria Ortiz que, pouco depois (1625) enfrentou piratas holandeses, com água fervendo.

Os ingênuos estão perdoados, erram levados por historiadores e mestres conservadores. Contestamos aqueles, que a serviço de uma ideologia criam versões estranhas à nossa tradição, falando em ódio e extermínio, tentando obter para si a linhagem puro sangue que idealizam ou copiando a história de outros países. Aqui, teve sucesso a miscigenação. Estatísticas do século XIX mostram que em todas as vilas do Espírito Santo o número de pardos já superava, com folga, o de brancos, negros e índios, somados. Desde Darwin sabemos da evolução: mudanças no ambiente selecionam, quem não se adapta desaparece; variedade de indivíduos numa espécie é fruto de cruzamentos, raramente de mutações; troca genética é estratégia eficiente para a sobrevivência das espécies. Observe, por exemplo, as flores dos hibiscos (graxa simples) ou da sumaúma (paineira) comuns no ES. O órgão masculino (androceu) fica abaixo do feminino (gineceu) possibilitando, ao descendente, herdar características de duas flores. Na autofecundação, o indivíduo se repete como um clone, não há evolução.

A transferência da capital da Vila do Espirito Santo (Vila Velha) para Vitória foi devido a alguns fatores: Vila Velha, não dispunha de água potável, as fontes eram poucas e minguadas (Moreno e Inhoá) e os riachos sem queda, salgados; o solo, areal impróprio para agricultura europeia; localização, exposta a piratas ingleses, franceses e holandeses. Vitória tinha água boa e farta; terra fértil; localização estratégica com o canal guarnecido. A transferência ocorreu à revelia do donatário que estava em Lisboa. Patrocinada por Duarte Lemos, seu desafeto, capitão mor de Porto Seguro, proprietário da Ilha de Santo Antônio (Vitória), aliado dos jesuítas e do bispo Sardinha, chefe da igreja católica no Brasil, que havia destratado Vasco Coutinho em Porto Seguro. A “muralha de água” nunca existiu para índios bons nadadores e exímios canoeiros. Em Vila Velha, 1566, eles foram engajados por Anchieta, para a batalha naval na Ilha de Villegaignon, baia de Guanabara, onde Arariboia salvou o 1º governador do Rio de Janeiro, nadando com ele nas costas. Todos os nossos fortes foram construídos voltados para o mar visando inimigos reais: piratas e corsários. A boca do mato era vigiada por índios pedestres e os nossos primeiros colonos vieram do Rio, em 4 caravelas, a tribo de Maracaiaguaçu e Arariboia.

Nossa história é diferente, rica em exemplos de colaboração e entrosamento, entre nativos e colonizadores. Os Tupiniquins que andavam por aqui no séc. XVI vinham sendo literalmente devorados por Botocudos: no sul, Goitacazes; no oeste, Aimorés; no norte, Pataxós. Porque inventar uma batalha manchando com purpura a aquarela capixaba, suave, rica em cores e amores? Anglo-saxões quase extinguiram os bretões, antigos habitantes da Inglaterra; japoneses, os ainos; espanhóis, os guanchos das Canárias; árabes, osfelás do Egito, ... No Brasil enriquecemos o patrimônio genético europeu, africano e asiático nos misturando com os índios. Hoje somos brasileiros, muitos como eu, têm um pé na taba. Aqui índio fica na reserva se quiser ou enquanto cobaia de antropólogos. Durante a colonização alguns foram levados para Europa, Montaigne fala de uma tribo inteira num festival em Paris, séc. XVI. A mata ainda era virgem, mas encerrado o programa, que durou um ano em Versalhes, pediram para ficar, nenhum índio quis voltar para a selva.

A festa de NS da Vitória, criada por Pio V (1504-1572) é boa pista da origem do nome da nossa capital. A “vitória definitiva” foi longe daqui, em Lepanto, Grécia (1571), conteve o avanço islâmico no Mediterrâneo.

Kleber Galvêas, pintor. Tel. (27) 3244-7115. ateliegalveas@gmail.com www.galveas.com HORÄRIO: Todos os dias das 9 às 18 horas. Favor repassar para amigos. Grato, Kleber


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