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IMPOSTOS e DÍZIMO – (publicado em A Tribuna, 29/11/2013)    

A proposta “caçar marajás”, anunciada com estardalhaço há 20 anos, elegeu um desconhecido presidente do Brasil. Foi instantâneo o interesse público por essa caçada que alcançaria corruptos. Entretanto marajás e corruptos não estão na lista de animais em extinção. São comuns.

Perverso como esses criminosos que roubam, mas fazem o dinheiro circular, é o mau gerente. Ele Ignora a vocação do que cuida, desperdiça e paga caro por obras e serviços de má qualidade.

O noticiário local mostrou em um dia, obras públicas feitas há pouco tempo, precisando de reforma estrutural. O nacional entrevistou dono de confecção em São Paulo que declarou: “estamos falindo porque vendemos impostos e não mercadorias, pois o “custo Brasil” faz o peso dos impostos, na composição do preço, ser maior do que o valor de alguns produtos”. O noticiário internacional, sobre países nórdicos campeões em impostos, mas também em assistência pública, revelou a vida espartana dos seus políticos quando em Congresso, e sobre o Papa Francisco informou sua atitude em relação ao bispo alemão, que fez obra milionária na paróquia priorizando o luxo.

“Quem nunca comeu melado quando come se lambuza”. Que se lambuzem aqueles que honestamente chegaram ao doce pote. Mas, quando o dinheiro é público (governo ou igreja), não se pode transgredir a ética: deve servir aos que encheram o pote.

Nenhuma sociedade sobrevive sem a colaboração dos associados. O imposto, não inviabilizando a produção  e o comércio, é necessário para financiar obras públicas, que facilitem a vida, a produção e circulação de riquezas; assim como o dízimo pago promove o progresso da catequese. Fixado primitivamente em 10% deve ser atualizado. Entre religiosos há controvérsias: uns garantem que ele não tem amparo legal; outros dizem que a Bíblia o consagra. Curiosamente, tendo o mundo financeiro passado por grandes transformações, e políticas públicas a cargo das igrejas sendo absorvidas pelo Estado, as igrejas isentas de impostos mantêm o dízimo em 10%.

Igrejas, organizações suprapartidárias respeitadas, ao longo dos séculos mantinham as portas abertas com várias funções. Ali entrava o refugiado político, o carente, o faminto, o santo e o pecador. Era orfanato, amparo às viúvas, hospital, enfermaria, ambulatório, consultório médico, psicológico, de aconselhamento individual e social; escola de leitura, escrita, artes e ofícios; biblioteca; veiculo de comunicação e espionagem; referência de linguagem falada e escrita, mecenato, produção artística e literária; faziam documentação, emitiam certidões, representavam e mediavam conflitos políticos/sociais; atuavam como defensoria pública; financiavam cruzadas, peregrinações, festas populares, procissões, teatro, canto coral, música instrumental; etc.

O dízimo foi instituído em 10% da renda do fiel, numa época em que eram múltiplas as funções sociais das igrejas. Hoje, elas estão aliviadas, e as obrigações financeiras (públicas e privadas) do cidadão foram multiplicadas.

Encargos dispendiosos, principalmente com saúde, educação, assistência social, cultura, etc., saíram da planilha das igrejas. São financiados por impostos recolhidos e administrados pelo governo. Portanto “Daí a César o que é de César”.


Kleber Galvêas, pintor. Tel. (27) 3244 7115 www.galveas.com [email protected] outubro, 2013.
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