| DEMOLINDO A IDENTIDADE
CAPIXABA Tenho o prazer de informar que a partir do
dia 19 de dezembro (domingo), às 9:00h estarão expostas
no ateliê 20 telas produzidas
neste ano.
“DEMOLINDO A IDENTIDADE CAPIXABA” é uma exposição
que pretende provocar reflexões sobre a opção de
crescimento econômico para o Espírito Santo.
Você é nosso convidado especial.
Serviço:
Exposição: “DEMOLINDO A IDENTIDADE CAPIXABA”.
Abertura: dia 19 de dezembro de 2010, às 9:00h.
Horário: todos os dias, das 09 às 18:00h.
Período: De 19/12 a 19/03.
Endereço: Rua Antenor Pinto Carneiro, 66 – Centro, Barra
do Jucu – Vila Velha.ES.
Telefone: (27) 3244 7115 – atelie@galveas.com
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| Sapatada Legal
É melhor mostrar insatisfação usando a cabeça
e não os pés. Clamamos por uma antítese que gere
reflexão sobre o nosso desenvolvimento. |
Vocação ator. Realidade...
Referência às dezenas de vocações artísticas
que aqui se perdem. O governo não cumpre o Art. 215 da nossa
Constituição: “O Estado...apoiará e incentivará
a valorização e a difusão das manifestações
culturais”.
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| Abstração
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Demolindo a identidade capixaba
A árvore seca sob a verde que está na beira do
precipício, alerta para a opção de desenvolvimento
pela siderurgia radical, banida do Hemisfério Norte. |
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Caça aos Patos
Atualmente, na Grande Vitória, estão atirando
mais na parte inferior mostrada nesta pintura. Entre as cidades mais
violentas do Brasil, quatro estão no ES.
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Cão que não ladra e nem morde
fica na corrente
A prisão mais eficiente é a que construímos
para nós mesmos. O nosso silêncio. |
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Big-foot's hiding-place
Transição da pobreza para a riqueza. Pulando a
cerca dourada. Alguns resistem ainda que tudo fique ferruginoso.
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Ar, Cara-pintada
Indignação com a poluição atmosférica
gerada pela atividade siderúrgica gigantesca, instalada em áreas
nobres e densamente povoadas no ES. |
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Eleição de escravos
A idéia foi apanhada de desenhos de Banksy, pintor inglês,
um Hogarth (Londres, 1697-1764) do nosso tempo. Não só
estamos construindo, mas apreciando demais nossa política de
segurança.
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Casaca quebrada
Referência ao desaparecimento das bandas musicais locais
nos últimos anos. |
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| Tubarão de Ferro
Referência ao ferro, outras partículas, gases e
desarranjo social, que escapam das chaminés em Tubarão.
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Céu de Ferro
Coloque óculos com lentes avermelhadas, desses baratinhos
de camelô, e aprecie por instantes o céu no horizonte sobre
o mar na Grande Vitória. Identifique a calota de ar saturado de
ferro que nos cobre permanentemente. |
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Pulmão constrangido
Dentro da bandeira do Brasil, faixa com as cores do ES aperta
o pulmão nacional. O problema gerado aqui, afeta outras partes
do país. A chuva ácida sobre as florestas canadenses era
gerada pela siderurgia nos EUA. |
E o barquinho a navegar...
Nostalgia. Identidade fragmentada. Referência às
exposições no Museu Ferroviário, à cumplicidade
do governo, e a tendência da mídia. |
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O vernissage legal?
À direita as pessoas parecem contidas ao verem a tela
rosa, azul e branco (capixaba). À esquerda as pessoas parecem perdidas
ao perceberem as formas azuis e verdes que flutuam no espaço negro.
Referência a ação demolidora do governo e do Museu
Ferroviário, na produção artística local.
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Vã filosofia
Do ovo dourado partido saiu bicho estranho, que escureceu a paisagem.
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A paisagem vira pó
À direita típica paisagem masseniana sob céu
invadido pelo ferro. À esquerda a siderurgia à beira mar.
Milhões são gerados, alguns provam, muitos aprovam, mas
todos acabam sozinhos fechando a porta e apagando a luz verde. |
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"Tábua de Anchieta"
(detalhe) 2011.
Obra realizada com objetivo de despertar o interesse do governo do Estado
do Espírito Santo para resgatar a tábua original, com o
retrato do Pe. José de Anchieta pintado por Belchior Paulo em 1590.
Levada ao MNBA para ser restaurada pelo professor Edson Mota em 1940,
ainda não foi recuperada para o patrimônio histórico
e artístico do ES.
Veja texto (Resgatem Anchieta) na página 72 do livro "DEMOLINDO
A IDENTIDADE CAPIXABA". |
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Releitura da tela "Tubarão
de Ferro" (veja acima) feita por alunos de 5 e 6 anos de
idade da Prof. Eucymara. CMEI. Dr. Denizarte Santos -
G VI, Vespertino. Escola de Vitória, ES, que vizitaram o ateliê
durante a exposição "DEMOLINDO A IDENTIDADE CAPIXABA"
em maio de 2011. |
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A
Gazeta,
Caderno 2, 28/05/2011. Marcelo Pereira.

DEMOLINDO A IDENTIDADE CAPIXABA
Vocação é aptidão natural,
tendência ou inclinação para um estado ou atividade.
Alienado ou louco é quem, durante o desenvolvimento, na construção
de sua personalidade, ignora a vocação: assume identidade
que lhe é nitidamente imprópria, atuando no ambiente de
modo a atender seus caprichos.
Embora muitas vezes possa justificar suas aspirações com
lógica fascinante, falha sempre por ignorar o princípio:
ele não é quem julga ser, tornando-se insustentável.
Assim está o Espírito Santo: louco, desarrumado, demolindo
sua identidade. O governo tem ”arrumado nossa casa” da pior
maneira, colocando equipamentos rejeitados, pesados e perigosos nos espaços
mais nobres do litoral.
Nenhum outro Estado brasileiro possui tantas características complementares
reunidas definindo uma vocação. Isto nos distingue, é
a nossa identidade:
- localização geográfica entre norte e sul da costa
atlântica brasileira;
- topografia privilegiada com mar e montanhas próximos;
- muitos rios, riachos, lagoas e cachoeiras;
- restos da mata atlântica;
- clima com faixa curta de variação da temperatura, chuvas
regulares e ventos amenos;
- biodiversidade incrível na terra, mar e ar;
- ilha oceânica em frente à capital;
- regime agrário preponderante de pequenas propriedades familiares;
- diversidade religiosa e étnica expressiva, de indivíduos
generosos e receptivos;
- 500 anos de história documentada, rica em fatos notáveis;
- pioneirismo na pintura, música, teatro e literatura;
- culinária famosa;
- folclore diversificado, de norte a sul;
- formações rochosas gigantescas, únicas e belíssimas;
- praias para todos os gostos e paisagens naturais notáveis.
Quase todos os itens listados acima são dons, ou dádivas.
Atributos que definem uma vocação econômica. A
nossa, para um desenvolvimento sustentável está na expansão
da área de Serviços, o que caracteriza sociedades contemporâneas
desenvolvidas
Entretanto violência e poluição, dois entraves que
cresceram significativamente nos últimos anos, em função
do modelo de desenvolvimento adotado, anulam todas as prerrogativas desta
vocação territorial e humana favoráveis ao terceiro
setor.
O crescimento a qualquer custo (culminando ao declarar grandes empresas
como de “Utilidade Pública” para que possam saltar
obstáculos legais) é loucura administrativa com grave desvio
moral. Este caminho tem nos proporcionado destaque mundial negativo nas
áreas de poluição e segurança, e o caos na
saúde, educação, habitação, transporte
e cultura, experimentado ou visto todos os dias na TV e jornais.
Só o descaminho justifica esta barbaridade, pois a capacidade de
investimento do Estado, de R$ 40 milhões, há 7 anos, saltou
para mais de R$ 1 bilhão. De pobres passamos rapidamente a quase
ricos, mas continuamos desajustados.
Nosso pior governador não foi o prevaricador; o que ficou no cargo
poucas horas; o que, sendo escritor brilhante, pediu demissão com
bilhete escrito em papel higiênico; ou o que fugiu do palácio
e se refugiou em navio inglês; tampouco o preguiçoso ou ladrão:
é o predador que está nos demolindo sem oposição,
e sem nos dar chance de recuperação.
Sem identidade, não se desenvolve vida saudável nem felicidade.
Não há paz nem sustentabilidade.
Kleber Galvêas, pintor. Tel. (27) 3244 7115 www.galveas.com dezembro/2010.
Fale conosco: ateliegalveas@gmail.com
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